Embraer lidera o consenso e Itaú BBA trocou 80% da carteira
Levantando as carteiras de julho de dez bancos e corretoras — BTG Pactual, XP, Itaú BBA, Bradesco, BB-BI, Genial, Inter Invest e outros — a ação mais indicada não é banco nem minério: é a Embraer. O consenso diz algo sobre o momento do mercado.
Quem aparece em mais carteiras?
A Embraer (EMBR3) tem seis das dez recomendações — o número mais alto do mês. A tese: pedidos recordes, margens crescendo e receita em dólar. Com o câmbio ao redor de R$ 5,20 e a Selic em 14,25%, exportadoras que faturam em dólar ficam protegidas do ambiente doméstico de juro alto. A Embraer vende avião para o mundo; o nível da Selic não entra diretamente no seu demonstrativo de resultado.
Outros nomes com cinco ou mais recomendações:
- Itaú Unibanco (ITUB4): cinco bancos indicam — alinha com os 18% que já tenho na carteira.
- Petrobras (PETR4): cinco recomendações, apesar do WTI ter recuado de US$ 95 para US$ 87 nesta semana.
- Vale (VALE3): entre cinco e seis recomendações, com o minério a US$ 98,65 por tonelada e a China decepcionando — o PIB cresceu 0,9% no segundo trimestre de 2026, pior resultado desde 2011.
Itaú BBA renovou 80% da carteira — e saiu de Petrobras
A maior movimentação de julho foi a do Itaú BBA, que trocou cerca de 80% dos ativos. A saída mais chamativa: a própria Petrobras, que o banco mantinha como convicção.
No mesmo período, a XP Investimentos foi na direção oposta: aumentou o peso de PETR4 na carteira de dividendos, de 10% para 15%.
Esse tipo de divergência vale mais do que o consenso. Quando dois analistas qualificados apostam em direções opostas, eles geralmente estão calibrando tolerâncias diferentes ao risco — não chegando a conclusões erradas. O que o Itaú BBA viu: risco de queda do petróleo assimétrico demais para o tamanho da posição. O que a XP viu: dividendo de dois dígitos que aguenta qualquer preço acima de US$ 75.
O Itaú BBA também incluiu Bradesco (BBDC4), Sabesp (SBSP3) e a BDR do Nubank (ROXO34) como novos nomes — aposta em crédito digital e no ciclo de privatização do saneamento.
Outros movimentos por instituição
- BTG Pactual: postura defensiva nas duas frentes. Na carteira de BDRs, trocou Apple por GE Vernova (G2EV34) — energia limpa, receita menos exposta a riscos de tarifas. Nas small caps, entrou em Banco Inter (INBR32) e Marcopolo (POMO4), saiu de Banco Pine e SBF.
- XP Investimentos: adicionou Rede D'Or (RDOR3) na carteira de ações e ampliou ORVR3. Removeu CPLE3 — classe de ações da Copel, empresa que tenho via CPLE6 com 10% da carteira.
- BB-BI: escolheu Allos, Bradesco, Cemig, Motiva e Vivara. Foco em dividendos e consumo doméstico.
O que eu faço com isso
Embraer está no radar, mas entro depois do Fed. A decisão do FOMC sai na quarta-feira (29/07), e o CME FedWatch aponta para manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% — mas o tom do comunicado pode ser mais duro do que o mercado espera. Prefiro esperar o mercado digerir a decisão antes de abrir posição nova.
Petrobras (PETR4): mantenho os 12%. O petróleo recuou (WTI de US$ 95 para US$ 87 em menos de uma semana), mas o dividendo aguenta a posição nos níveis atuais. Se o WTI cair abaixo de US$ 83 de forma consistente, revejo o tamanho.
Vale (VALE3): inalterada. Minério a US$ 98 ainda sustenta o dividendo, mas a China com crescimento de 0,9% no trimestre não é catalisador. Aguardo o PMI industrial de agosto para reavaliar.
Copel (CPLE6): atenção amarela. A XP saiu de CPLE3 e o BB-BI escolheu Cemig — concorrente direto no setor elétrico. A tese de queda de Selic segue viva, com a reunião do Copom prevista para agosto, mas o calendário se alongou. Mantenho por ora, sem ampliar.
O patrimônio teórico da carteira fechou a última semana em R$ 101.241. Com ITUB4, PETR4 e VALE3 em queda nesta abertura de segunda-feira, a estimativa para hoje fica ao redor de R$ 100.800 — ainda positivo desde o início, mas abaixo do pico.
Perguntas rápidas
Por que Embraer lidera as recomendações em julho?
Receita em dólar com câmbio a R$ 5,20, pedidos recordes e margens crescendo. Exportadora que vende para o mundo se protege do ambiente doméstico de Selic alta.
Por que o Itaú BBA trocou 80% da carteira de uma vez?
Alta rotatividade indica revisão de cenário, não de humor. A saída de Petrobras sugere leitura mais pessimista para o petróleo; a entrada de Sabesp e Nubank, aposta em privatização de saneamento e crédito digital.
O consenso entre bancos é um guia confiável?
É um ponto de partida. Mais valioso do que o consenso são as divergências: quando Itaú BBA e XP apostam em direções opostas em Petrobras, o debate por trás dessa diferença é o que realmente vale acompanhar.