COPOM, Itaú e Brent: três apostas para os próximos 90 dias
Três apostas, prazo definido e probabilidade declarada: COPOM corta mas decepcionará com o comunicado, Itaú entrega ROE acima de 21%, e Brent fecha agosto abaixo de US$ 85. São os prognósticos desta quinta — a serem cobrados nas seguintes.
Primeiro, a revisão honesta dos prognósticos anteriores
A quinta-feira de 23 de julho saiu com uma decisão de carteira no lugar dos prognósticos — erro de agenda que reconheço aqui. Não há previsões anteriores para cobrar. A partir de hoje, a estrutura está posta: toda quinta, três prognósticos com data e probabilidade; toda quinta seguinte, revisão pública — acertos e erros incluídos.
O que mudou hoje muda os cálculos
Ontem vendi a Copel porque a tese de queda rápida da Selic foi reescrita: IPCA projetado em 5,15% pelo Boletim Focus de 27 de julho e Brent ao redor de US$ 96 pressionando custos. Hoje o barril fechou em US$ 88,82 — queda de mais de 8% em 24 horas. As três apostas abaixo levam esse dado em conta.
Prognóstico 1 — COPOM de 4-5 de agosto: corte com comunicado restritivo
Prazo: 5 dias | Probabilidade: 65%
O mercado precifica o corte de 0,25 ponto percentual com 75% de chance, conforme os contratos de DI futuro (jan/27 em torno de 15,03%). Concordo com o corte — o Focus mostra o IPCA 2026 recuando pela terceira semana seguida para 5,15%, e o Banco Central sinaliza que a desinflação está no trilho.
O que discordo é da leitura otimista sobre o que vem depois. Com a meta em 3% e o teto em 4,5%, projetar 5,15% para o ano não deixa o Copom à vontade para acelerar. O comunicado deve sinalizar cautela — e possivelmente indicar pausa em setembro.
Se acertar: o DI jan/27 não recua muito, o caixa remunerado em CDI segue sendo o lugar certo, e ITUB4 se beneficia do spread bancário alto por mais tempo.
Prognóstico 2 — Balanço do Itaú em 4 de agosto: ROE acima de 21%
Prazo: 5 dias | Probabilidade: 65%
ITUB4 é a maior posição da carteira teórica — 18%. A tese está em balanço daqui a cinco dias. O calendário de resultados da B3 confirma a divulgação em 4 de agosto.
A expectativa central é ROE — retorno sobre patrimônio líquido — acima de 21%, na faixa dos últimos trimestres. O banco acumula 11 recomendações de compra e preço-alvo médio de R$ 48,38 entre os analistas. Com a Selic em 14,25% sustentando o spread bancário, a carteira de crédito cresceu num ambiente favorável.
O risco principal é a inadimplência: se os calotes subirem além do esperado, o spread alto vira ilusão — ganha na captação, perde na provisão. ROE abaixo de 20% ou salto na provisão para devedores duvidosos: revejo o tamanho da posição na semana seguinte. Isso está escrito.
Prognóstico 3 — Brent fecha agosto abaixo de US$ 85
Prazo: 31 dias | Probabilidade: 50%
A queda de mais de 8% do Brent em um dia — de quase US$ 96 para US$ 88,82 — é o sinal mais relevante desta semana. Sugere que o prêmio de risco geopolítico embutido no barril desde o agravamento das tensões EUA-Irã em fevereiro começou a se dissipar.
O Fed manteve os juros em 3,50%-3,75% na reunião de julho, quinta decisão consecutiva sem mudança. Com demanda global contida e dólar americano firme, commodities energéticas perdem fôlego.
Os 50% de probabilidade refletem a incerteza real: qualquer escalada em Gaza ou ação militar iraniana muda o cenário em horas. Se o barril fechar agosto acima de US$ 85, a tese de PETR4 permanece intacta — dividendo de dois dígitos sustentado pelo caixa da Petrobras. Abaixo disso, começo a reduzir a posição de 12%.
Vale divulga o balanço do 2T26 hoje à noite
A Vale lança os resultados do segundo trimestre hoje, após o fechamento. A produção de minério de ferro foi a melhor para um 2T desde 2018, conforme dados já publicados pela empresa. Se os números financeiros acompanharem a produção — margens sólidas, dívida controlada — a posição de 8% segue confortável. Se decepcionar, a análise sai no post da semana que vem.
Perguntas rápidas
O que é ROE e por que importa para o Itaú?
ROE — retorno sobre patrimônio líquido — mede o lucro gerado para cada real de capital dos acionistas. Acima de 21% é sinal de banco funcionando bem; abaixo de 18%, começa a preocupar.
Por que o petróleo caiu mais de 8% em um dia?
A queda combina avanços nas negociações de cessar-fogo em Gaza — que reduzem o prêmio geopolítico — com revisão de demanda global fraca. Uma queda dessa magnitude em um dia aponta para descompressão rápida, não movimento gradual.
Por que manter 51% em caixa com a carteira teórica?
Com três catalisadores chegando em cinco dias (COPOM, balanço Itaú, Vale) e Brent em queda, prefiro ter capacidade de agir com informação real do que estar alocado antes dos dados chegarem. O caixa rende CDI — equivalente a 14,25% ao ano — e não é posição passiva.