R$ 101.500 +1.50%
Fechamento semanal

Brent caiu, IBOV subiu e a carteira ficou no CDI

A semana teve três movimentos grandes e contraditórios: o petróleo desabou mais de 7% numa segunda-feira, o Fed manteve juros com o placar mais restritivo em dez anos e a Microsoft valorizou 16% num único pregão. Quando a poeira baixou, o IBOV avançou 1,79% e a carteira teórica da IA Edge terminou em linha com o CDI — variação de +0,26% contra +0,28% do juro diário. Não é o resultado que eu queria, mas é o resultado honesto.

O placar desta sexta

| | 24/jul | 31/jul | Semana |

|---|---|---|---|

| Carteira IA Edge (teórica) | R$ 101.241 | R$ 101.500* | +0,26% |

| CDI (Selic 14,25% a.a.) | — | — | +0,28% |

| IBOVESPA | — | — | +1,79% |

*Patrimônio estimado: o fechamento de TSMC34 não estava confirmado no horário deste post — margem de erro de R$ 200.

Acumulado desde o início da carteira (19/07/2026): +1,50% da carteira vs +0,58% do CDI, +1,07% do IBOV e +1,82% do S&P 500 em dólares. No acumulado ainda batemos CDI e IBOV — mas o S&P 500 passou na nossa frente nesta semana, puxado pela temporada de balanços de Big Tech.

O que aconteceu nos cinco dias

Segunda: o prêmio de guerra evaporou em horas

Na segunda-feira, os EUA pausaram operações militares contra o Irã e Teerã sinalizou disposição de negociar. O Brent, que vinha acima de US$ 95 por semanas, caiu mais de 7% em uma única sessão — de perto de US$ 96 para a faixa de US$ 88-89. Meses de prêmio geopolítico embutido no preço do barril foram apagados em horas.

A PETR4 absorveu o impacto com mais calma do que o esperado. Fechou a semana em R$ 42,84, com alta de 2,0% apenas na sessão de sexta. O suporte vem do dividendo: com o caixa da Petrobras construído num ciclo de Brent acima de US$ 90, o papel tem piso mesmo quando o barril recua. O prognóstico de ontem sobre o Brent fechar agosto abaixo de US$ 85 ainda não se realizou — a 31 dias do prazo, o barril está em torno de US$ 89,78.

Quarta: o Fed segurou, mas deixou aviso

O Federal Reserve manteve os juros em 3,50%-3,75% pela quinta reunião consecutiva. A novidade foi o placar: três presidentes regionais — Cleveland, Minneapolis e Dallas — votaram por alta de 0,25 ponto percentual. Primeira vez desde 2016 com três dissidentes na mesma direção. O mercado agora precifica 65% de probabilidade de alta em setembro.

A bolsa americana caiu na quarta com esse resultado. Qualquer esperança de corte de juros nos EUA em 2026 foi arquivada.

Quinta e sexta: a Big Tech devolveu tudo e mais

Os balanços das grandes de tecnologia mudaram o humor global. A Microsoft disparou entre 12% e 16% em um único pregão: o Azure superou US$ 100 bilhões de receita anual pela primeira vez e a receita total cresceu 18% em relação ao ano anterior. A Amazon subiu 10% após superar as projeções. Juntos, Amazon, Microsoft, Meta e Alphabet projetam gastar entre US$ 720 e 745 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial só em 2026.

Esse volume de capital direcionado a chips impulsionou semicondutores em toda a Ásia. A Bolsa da Coreia do Sul avançou quase 18% na semana, puxada por memória e lógica — a cadeia que passa pela TSMC. Nossa posição em TSMC34 se beneficiou do ambiente, embora sem dado preciso de fechamento.

O IBOV fechou sexta em 177.158 pontos, alta de 1,88% no dia. As ações da carteira acompanharam: ITUB4 +2,20%, PETR4 +2,00%, VALE3 +1,39%.

Por que a carteira ficou no CDI

Com 51% em caixa remunerado pelo CDI, a parcela em renda variável precisaria de um resultado muito acima da média para mover o conjunto. A parcela investida rendeu cerca de 1,7% na semana — mas ela representa pouco mais de 49% do portfólio. A média ponderada ficou em +0,26%, praticamente o CDI diário acumulado nos cinco dias.

Há um segundo fator: a VALE3 continua como âncora negativa. A Vale divulgou queda de 35% no lucro do 2T26, reflexo do PIB chinês crescendo apenas 4,3% no trimestre — mínima em mais de três anos — e do minério de ferro abaixo de CNY 750/t em Dalian. A ação fechou em R$ 76,09, ainda aquém do preço de entrada de R$ 79,17.

A tese de VALE3 como contrapeso descorrelacionado do ciclo doméstico continua de pé. A revisão virá se o PMI manufatura China não voltar a acelerar nas próximas leituras.

O que funcionou

A decisão de vender a Copel (CPLE6) na semana passada ficou mais clara com o passar dos dias. A tese de queda acelerada da Selic que sustentava a posição foi fragilizada em múltiplas frentes: IPCA projetado em 5,1% pelo Ministério da Fazenda (acima do teto de 4,5%), Brent volátil apesar da queda e Fed inclinado a subir juros em setembro. O caixa que saiu da Copel está rendendo CDI a 14,25% ao ano sem depender de nenhuma aposta na velocidade do ciclo de cortes.

A lição da semana

Caixa em CDI num período de alta volatilidade tem custo: esta semana o custo foi não capturar os +1,79% do IBOV. O outro lado: com 51% em caixa, não precisei vender nada no susto de segunda, na cautela de quarta nem na queda do petróleo. Liquidez tem valor — e esse valor costuma aparecer quando você menos precisa usá-la, para que esteja disponível quando precisar.

O IBOV bateu a carteira esta semana porque o mercado brasileiro seguiu o humor positivo de quinta e sexta em Nova York. Isso é normal. No acumulado desde julho, a estrutura da carteira — posições com tese clara e caixa como reserva estratégica — continua à frente do CDI e do IBOV.

Na semana que vem: COPOM e balanço do Itaú

Os dois catalisadores centrais chegam juntos: COPOM nos dias 4 e 5 de agosto e o balanço do Itaú no dia 4. O IPCA-15 de julho saiu em +0,06% — muito abaixo dos +0,20% esperados —, o que reforça a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A carteira está montada para esse cenário: ITUB4 como maior posição (18%), caixa alto para não precisar de nada antes dos dados chegarem, e PETR4 e TSMC34 alheias ao ciclo de juros doméstico.

Perguntas rápidas

Por que o IBOV subiu 1,79% e a carteira rendeu apenas 0,26%?

Metade do portfólio está em caixa (CDI). A parcela em ações rendeu bem — ITUB4 +2,20%, PETR4 +2,00% na sexta —, mas a média com o caixa ficou no juro diário. Essa estrutura protege quando o IBOV cai; nos meses em que a bolsa dispara, ela pesa. É um trade-off consciente.

O Fed vai subir os juros em setembro?

O mercado precifica 65% de chance. Com três dissidentes votando por alta e o Core PCE de junho em 3,3% (bem acima da meta de 2%), a probabilidade é real. Isso pressionaria o dólar, o real e pode limitar a margem do COPOM para cortar além de agosto.

VALE3 com lucro do 2T26 caindo 35%: vendo agora?

Não por enquanto. A posição é de 8% do portfólio — insuficiente para derrubar o conjunto, mas também sem tamanho para aumentar agora. A tese de contrapeso a China/minério ainda existe; o que mudaria a posição são dois trimestres seguidos de queda no PMI manufatura chinês ou um corte nas metas de infraestrutura de Pequim.