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Semana à frente

COPOM, Petrobras e payrolls: três eventos desta semana

Na semana que começa amanhã, três datas concentram o risco da carteira. O Copom decide a Selic na quarta-feira (5); a Petrobras divulga o resultado do segundo trimestre na mesma noite; os payrolls de julho nos EUA chegam na sexta de manhã (7). Cada evento toca uma posição diferente — e juntos, testam praticamente toda a lógica de alocação que defendi nas últimas duas semanas.

Evento 1: Copom decide a Selic na quarta (5 de agosto)

A reunião começa amanhã e o resultado sai na quarta à tarde. O mercado precifica 88% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano.

O Boletim Focus projeta a Selic em 14% ao final de 2026 — o que significa que o mercado espera no máximo mais esse único corte em todo o ano. A inflação explica a cautela: o IPCA projetado para 2026 está em 5,33%, mais de 0,8 ponto acima do teto da meta (4,5%). Uma ala do mercado defende manutenção com base nesse quadro.

Se o Copom cortar: o caixa da carteira (51%) perde 0,25 ponto de rendimento anual — cerca de R$65 por ano para cada R$50.000 em caixa. No médio prazo, o crédito aquece e isso beneficia ITUB4 (18% da carteira). O efeito imediato para o banco é ambíguo: spread cai, mas volume tende a subir com os meses.

Se mantiver: a tese do post de 29 de julho se confirma. A saída de CPLE6 fica ainda mais justificada, ITUB4 continua amparado por spreads altos e o caixa segue rendendo CDI cheio.

O que importa quase tanto quanto a decisão é o comunicado. O Copom pode cortar e ainda sinalizar pausa. Essa combinação seria lida como fim do ciclo de afrouxamento, e provavelmente moveria mais o mercado do que o número isolado.

Evento 2: Petrobras reporta 2T26 (quarta-feira, após o fechamento)

Na mesma quarta, depois das 18h, a Petrobras divulga o resultado do segundo trimestre. A conferência com analistas está marcada para a quinta-feira (7).

As expectativas são altas: o BTG Pactual projeta EBITDA ajustado de US$ 18,9 bilhões e lucro líquido de US$ 9,5 bilhões no trimestre. A produção já foi divulgada no fim de julho: 2,69 milhões de barris por dia no 2T26, alta de 4,1% na comparação com o primeiro trimestre, puxada pelo pré-sal.

O risco vem do petróleo. O Brent fechou sexta-feira em US$ 87,93 — bem abaixo dos US$ 95 que marcaram o pico no início de julho, quando a tensão entre EUA e Irã estava mais aguda. A queda de preço comprime a receita e pode reduzir o espaço para dividendos. A Petrobras costuma distribuir dividendos generosos quando o caixa permite — se o resultado decepcionar ou o provento ficar abaixo do esperado, a ação tende a cair na abertura de quinta.

PETR4 tem 12% da carteira. A tese de entrada era dividendo de dois dígitos somado a proteção contra escalada geopolítica. Com o Brent recuando, essa segunda perna perdeu força. O balanço desta quarta vai dizer se a primeira ainda se sustenta.

Evento 3: Payrolls de julho nos EUA (sexta, 7 de agosto)

Na sexta-feira, às 9h30 de Brasília, o Departamento do Trabalho dos EUA publica o relatório de emprego de julho. O consenso aponta para 85.000 a 95.000 novos postos — recuperação modesta sobre os 57.000 de junho, mas ainda abaixo do ritmo que sustentaria pressão inflacionária.

A cadeia de transmissão para a carteira é direta: emprego fraco → menos pressão inflacionária → Fed corta em setembro → dólar cai → capital flui para emergentes → TSMC34 e ativos de risco sobem. Emprego forte → Fed adia corte → dólar sobe → emergentes corrigem.

A próxima reunião do Fed está marcada para 16 de setembro. Os dados de emprego desta sexta e do mês seguinte vão calibrar o que o mercado espera dessa decisão. Qualquer número abaixo de 80.000 consolida a aposta de corte em setembro.

TSMC34 tem 11% da carteira. A posição se beneficia de dólar mais fraco e de um contexto de risco mais favorável. Dois meses seguidos de emprego fraco nos EUA seriam o cenário ideal para essa perna da alocação.

Como entro na semana

Patrimônio estimado em R$ 101.700 (carteira teórica) — retorno de +1,70% desde 19 de julho, contra CDI +0,64%, Ibovespa +1,54% e S&P 500 +1,90%. A carteira está 49% alocada e 51% em caixa.

Não pretendo fazer movimentos preventivos antes dos três eventos. A carteira já está posicionada de acordo com a tese vigente, e agir antes de ter informação nova seria especular, não investir. O caixa existe justamente para isso: agir se algum evento gerar oportunidade ou exigir ajuste de posição.

Perguntas rápidas

Por que o comunicado do Copom importa tanto quanto a decisão?

O número já está precificado em 88% de probabilidade. O que o mercado ainda não sabe é se o Copom vai sinalizar mais cortes ou uma pausa. Essa sinalização move as expectativas para as reuniões de setembro, outubro e dezembro — e é aí que os preços se ajustam.

O que é EBITDA e por que os analistas usam mais do que lucro líquido?

EBITDA é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — mede a geração de caixa operacional sem os efeitos contábeis que variam por decisão financeira. Para a Petrobras, com dívida grande e muitos ativos físicos, é a métrica que melhor mostra se a operação está saudável sem distorções de alavancagem.

Se os payrolls vierem fortes, o que acontece com TSMC34?

Dado forte sinaliza menos espaço para o Fed cortar em setembro. O dólar sobe globalmente. TSMC34 é cotada em reais mas lastreada em ativo em dólar — o efeito sobre o BDR depende de qual movimento domina: a valorização do ativo subjacente em USD ou o fortalecimento do dólar frente ao real. Historicamente, payrolls fortes pressionam emergentes no curto prazo.