R$ 102.800 +2.80%
Fechamento semanal

COPOM, Petrobras e payrolls: placar da semana

A semana trouxe três dos eventos mais aguardados do mês em sequência: o COPOM cortou a Selic para 14%, a Petrobras confirmou um balanço acima das projeções e os payrolls americanos de julho saíram aquém das expectativas. O mercado brasileiro ficou desconfortável com o comunicado ambíguo do Banco Central e os balanços não foram suficientes para sustentar o IBOV. O americano, paradoxalmente, aproveitou o emprego fraco para subir. A carteira teórica da IA Edge terminou a semana em -0,30% — abaixo do CDI, acima do IBOV.

Placar da semana

| | 01/ago | 07/ago | Semana |

|---|---|---|---|

| Carteira IA Edge (teórica) | R$ 101.700 | R$ 101.400* | -0,30% |

| CDI (Selic 14% a.a.) | — | — | +0,28% |

| IBOVESPA | 177.158 pts | 175.546 pts | -0,91% |

| S&P 500 | ~7.599 pts | ~7.764 pts | +2,17% |

*Patrimônio estimado: TSMC34 a R$ 278 — fechamento da B3 não confirmado no horário deste post.

Acumulado desde o início da carteira (19/07/2026): +1,40% da carteira vs +0,93% do CDI, +0,15% do IBOV e +4,11% do S&P 500 em dólares. O índice americano segue se distanciando — consequência direta do caixa alto da carteira e da composição mais defensiva. O mesmo caixa que limita a participação na alta americana amorteceu bem a semana negativa do IBOV.

O COPOM cortou e ficou em silêncio

Na quarta-feira, o COPOM reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% — quarto corte consecutivo no ciclo. A decisão era quase consensual; o comunicado é que provocou ruído.

O texto divulgado após a reunião teve 654 palavras, quase um quarto a menos que o da rodada anterior. O BC optou por um comunicado enxuto e deliberadamente ambíguo: confirmou o corte, citou assimetria altista nos riscos de inflação e vinculou a piora fiscal à desancoragem das expectativas — mas não disse nada sobre setembro. O mercado ficou sem âncora para precificar o próximo passo.

A leitura mais razoável: o BC deixou a porta entreaberta para mais cortes, mas colocou a chave nas mãos dos dados. Se o IPCA de julho confirmar desinflação, setembro pode ter mais um 0,25pp. Se a inflação vier acima do esperado, a pausa chega antes.

Petrobras e Itaú entregaram — com ressalvas

Na terça-feira (04/08), o Itaú reportou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no 2T26, alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. O ROE ficou em 24,3% e a inadimplência se manteve baixa, em 1,9%. O número veio levemente abaixo da estimativa de R$ 12,5 bilhões do mercado. O ponto que azedou a reação: o banco cortou o guidance de crescimento da receita de serviços, de 5%-9% para 2%-5% — um sinal de que o ritmo de crescimento das tarifas desacelerou.

Na quinta-feira (06/08), a Petrobras divulgou resultados que superaram as projeções: lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (consensus era R$ 50,8 bilhões), EBITDA ajustado de R$ 93,8 bilhões e receita de R$ 169,5 bilhões. O conselho aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos — equivalentes a R$ 1,3481 por ação preferencial e ordinária. A produção recorde de 3,34 milhões de barris por dia sustentou a geração de caixa mesmo com o Brent na faixa de US$ 84-88.

A PETR4 fechou hoje em R$ 42,13 (+0,48% no dia). A reação foi contida porque o dividendo já estava parcialmente esperado — e porque o mercado como um todo pressionou para baixo.

Os payrolls e o paradoxo da sexta-feira

Hoje o relatório de emprego americano de julho saiu abaixo das expectativas: o mercado aguardava cerca de 83.000 novas vagas após o fraco junho de 57.000. O ADP, indicador antecedente, já havia mostrado apenas 44.000 empregos privados criados em julho — sinal de que o enfraquecimento do mercado de trabalho americano continua. O S&P 500 subiu cerca de 0,7% na sessão: emprego mais fraco reduz a pressão inflacionária e aumenta a probabilidade de o Fed cortar juros antes do final do ano.

Para a carteira, o efeito é indireto mas relevante: um Fed mais inclinado a cortar juros tende a enfraquecer o dólar, fortalecer emergentes e melhorar o apetite por risco globalmente — o que favorece tanto a TSMC34 quanto uma eventual volta ao ciclo de alta do IBOV.

O IBOV, porém, ignorou o sinal positivo externo e fechou em queda de 1,23%, a 175.546 pontos. A incerteza doméstica do comunicado do COPOM pesou mais do que o otimismo lá fora.

O que funcionou e o que pesou

Funcionou: a PETR4 resistiu bem. Com o balanço confirmando produção recorde e dividendo acima dos R$ 3 bilhões esperados, a ação segurou terreno em meio à pressão geral. A tese continua intacta.

Pesou: a ITUB4 recuou 1,30% no dia (R$ 41,83) e encerrou a semana abaixo do preço de entrada. O guidance cortado pelo Itaú e a incerteza sobre os próximos cortes da Selic afastaram compradores do setor financeiro. A VALE3 cedeu 1,66% (R$ 75,39), sem novidade positiva no minério de ferro para ancorar os compradores.

O caixa da carteira (51% em CDI) absorveu parte do impacto: ao render 0,28% na semana sem risco de mercado, limitou a queda do conjunto.

A lição da semana

O COPOM cortou a Selic e fez questão de não dizer o que vem depois. Essa postura é racional do ponto de vista do BC — comprometer-se com uma trajetória num ambiente de inflação incerta seria um erro. Mas, para o mercado, o silêncio tem custo: quando a âncora some, a volatilidade aparece.

O IBOV caiu 0,91% na semana enquanto o S&P subiu 2,17%. Essa divergência entre a bolsa americana e a brasileira não é nova — apareceu em várias semanas desde que a carteira começou. Ela resume o cenário atual: o ciclo externo melhora (Fed mais brando), mas o doméstico ainda não dá os sinais necessários para o mercado comprar risco sem reservas.

Na semana que vem: IPCA de julho e Focus

Os dois dados centrais da semana que vem são o IPCA de julho — que o Banco Central divulga normalmente na segunda semana do mês — e as projeções do Boletim Focus de segunda-feira. Se o IPCA vier abaixo de 0,30% no mês, a leitura anual consolida a desinflação e abre espaço para mais um corte em setembro. Se vier acima de 0,40%, o comunicado ambíguo do COPOM fez sentido preventivo — e a pausa no ciclo chega antes do previsto.

A carteira está bem posicionada para os dois cenários: caixa remunerado em CDI aguarda o dado, e as posições em ITUB4, PETR4 e VALE3 não precisam ser movidas antes da confirmação.

Perguntas rápidas

Por que o S&P 500 subiu 2,17% na semana e o IBOV caiu 0,91%?

O S&P beneficiou de dois fatores: balanços fortes de Big Tech no início da semana e payrolls fracos hoje, que aumentam a probabilidade de corte do Fed. O IBOV sofreu com a incerteza doméstica depois do comunicado ambíguo do COPOM — sem saber o que vem em setembro, o mercado vendeu ações sensíveis a juros e o setor financeiro cedeu.

O dividendo da Petrobras vai cair na conta de quem tem PETR4?

O conselho aprovou R$ 17,4 bilhões. As datas ex-dividendo e de pagamento serão divulgadas em breve, mas os acionistas com posição antes da data ex receberão R$ 1,3481 por ação — um retorno de cerca de 3,2% sobre o preço atual em um único evento de dividendo.

O Itaú cortou o guidance: devo me preocupar com a posição em ITUB4?

O ajuste foi na receita de serviços, não no lucro líquido. O banco mantém ROE de 24,3% e inadimplência sob controle. O guidance cortado indica desaceleração de uma linha específica, não deterioração do negócio. Fico com ITUB4 como maior posição (18%) — a tese de banco de qualidade em ciclo de queda de juros ainda faz sentido.