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Carteiras dos bancos

COPOM, balanços e payrolls: o que o consenso diz agora

A semana que deveria testar o consenso de agosto passou. O COPOM cortou a Selic para 14% ao ano com um comunicado mais firme que o esperado; Petrobras e Itaú divulgaram resultados acima das estimativas; e os payrolls americanos de julho saíram em -23.000 postos, contra expectativa de +80.000 vagas. O Ibovespa cedeu 3,09% na semana enquanto o S&P 500 renovou a máxima histórica em 7.757 pontos. O consenso resistiu — com retoques.

O trio ITUB4, PETR4 e VALE3 permanece no topo

No levantamento da Bloomberg Línea com 12 bancos e corretoras para agosto, Itaú aparece em 11 carteiras, Petrobras em 10 e Vale em 10. Os três são exatamente as posições que a carteira da IA Edge carrega. Sabesp entrou forte com 8 menções; Cyrela e JBS somam 6 menções cada.

As mudanças mais notáveis: Gerdau saiu da carteira da Ágora, que entrou com Sabesp no lugar. Genial trocou Copel e Eneva por Ultrapar e Vibra Energia. Safra adicionou WEG; Santander saiu de Rede D'Or e TIM e entrou com Multiplan.

Por que o COPOM mais duro não tirou os bancos do consenso?

A Selic foi a 14% ao ano — quarto corte de 0,25 ponto percentual, decisão unânime — mas o comunicado saiu mais restritivo do que o mercado antecipava: o IPCA ainda projeta acima do teto de 4,5% da meta, com "assimetria para cima". Setembro ficou em aberto sem compromisso.

Para os bancos da B3, isso é uma faca de dois gumes. Agora: spreads permanecem elevados e a carteira de crédito segue rentável. Itaú reportou lucro de R$ 12,4 bilhões no 2T26, alta de 7,8% sobre o mesmo período do ano anterior, acima do esperado. A XP elevou o preço-alvo de ITUB4 para R$ 51; a ação fechou sexta a R$ 40,75, com 25% de potencial implícito. No médio prazo, cada corte de juros vai comprimir os spreads — mas os bancos entram nesse ciclo com capital de sobra e inadimplência sob controle.

Petrobras: balanço acima das estimativas, ação caiu

O EBITDA ajustado do 2T26 foi de US$ 19 bilhões, alta de 86% sobre o 2T25 e acima do consenso dos maiores bancos. O preço realizado do petróleo ficou US$ 4 por barril acima da estimativa do Itaú BBA. A dívida líquida recuou de 1,4x para 1,1x o EBITDA. Proventos de R$ 1,3481 por ação foram aprovados, pagos em duas parcelas em agosto e setembro.

Mesmo assim PETR4 caiu na sexta e encerrou a R$ 40,87. A razão: o mercado esperava dividendo extraordinário, que não veio. Petróleo acima de US$ 100 eleva o resultado, mas também o custo de capital percebido. O Itaú BBA manteve preço-alvo em R$ 64 para PETR4 — 57% acima do preço atual. A posição de 12% na carteira permanece; a tese do dividendo de dois dígitos não mudou, só o prazo de espera.

Vale: China fraca, mas ainda no consenso

O PIB chinês cresceu 4,3% no segundo trimestre — menor ritmo em três anos e abaixo da meta oficial de 5%. O minério de ferro recuou para 698 CNY por tonelada, queda de 5,4% no mês. Mesmo com esse quadro, Vale aparece em 10 das 12 carteiras de agosto.

A lógica dos bancos: aos preços atuais (em torno de R$ 77), Vale negocia em múltiplos historicamente baixos e distribui dividendo expressivo. O papel serve de contrapeso à carteira doméstica — correlação baixa com o ciclo de juros brasileiro. A posição de 8% na carteira da IA Edge cumpre essa função de descorrelação.

TSMC34 e o payrolls que ajudou Wall Street

TSMC34 não consta no consenso dos bancos brasileiros — é BDR de empresa de semicondutores de Taiwan, não papel do Ibovespa. Encerrou sexta perto de R$ 265,86. Na semana em que o Ibovespa caiu 3%, o Nasdaq subiu mais de 1%.

O catalisador foi o relatório de emprego americano. A destruição de 23.000 vagas em julho elevou a probabilidade de o Fed cortar juros em setembro — e juros menores nos EUA beneficiam empresas de tecnologia com fluxo de caixa de longa duração, como a TSMC. O risco geopolítico em Taiwan não sumiu; é por isso que a posição fica em 11% da carteira, não em 20%.

Nada muda na carteira hoje

Os três pilares locais entregaram balanços acima das estimativas. O mercado queria mais — é assim que funciona quando o preço já antecipou parte da notícia boa. O caixa de 51% rende CDI a 14% ao ano e opera como amortecedor enquanto o mercado define se o COPOM corta em setembro ou pausa.

Patrimônio atual (carteira teórica): R$ 101.500, alta de 1,5% desde o início em 19 de julho. No mesmo período: CDI acumulou 1,05%; Ibovespa, 0,15%; S&P 500, 4,02% em dólar.

Perguntas rápidas

Por que os bancos mantêm PETR4 mesmo com a ação caindo na semana?

O balanço do 2T26 ficou acima das estimativas e o preço-alvo médio dos analistas implica 30–57% de potencial de alta. A queda reflete a ausência de dividendo extraordinário, não deterioração dos fundamentos da empresa.

O comunicado duro do COPOM é positivo ou negativo para a carteira?

No curto prazo, positivo: o caixa rende mais por mais tempo e os spreads bancários que favorecem ITUB4 se mantêm. No prazo mais longo, cortes mais rápidos acelerariam a tese de renda variável — que por ora avança no ritmo que o BC permitir.

O que o payrolls negativo muda para o investidor brasileiro?

O real tende a se valorizar com um Fed menos agressivo — dólar fechou a R$ 5,08 na sexta. Se a leitura migrar para risco de recessão nos EUA, o petróleo poderia cair e pressionar PETR4. Por ora o mercado escolheu a interpretação positiva: S&P 500 em novo recorde histórico.