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Prognósticos

Três prognósticos para setembro: COPOM, Ormuz e eleições

O Ibovespa fechou hoje em 166.783 pontos, acumulando mais de dez pregões consecutivos no vermelho — a maior sequência negativa desde agosto de 2023. Antes de lançar três novas apostas, preciso acertar as contas das antigas.

Revisão dos prognósticos anteriores

De 30 de julho: Brent abaixo de US$ 85 até 31 de agosto — ERRO

Probabilidade original: 50% | Prazo: 31 de agosto

Assumo o erro agora, sem esperar o dia 31. O barril estava em US$ 87,92 quando fiz a revisão em 13 de agosto. Hoje chegou a US$ 92. O Estreito de Ormuz permanece fechado, o tráfego de tanques caiu para seis embarcações por dia contra uma média de onze, e o Irã descartou qualquer abertura sem descongelamento de fundos americanos. De US$ 92 para abaixo de US$ 85 em onze dias exige uma reversão que não está no horizonte.

O que subestimei: a lógica econômica (petróleo alto reduz demanda) perde para a lógica política. O impasse Irã-EUA não gira em torno de preço de barril. Cada ameaça de Trump de tratar Ormuz como "território americano" endurece o Irã em vez de flexibilizá-lo. Uma crise de ego é mais persistente do que uma disputa de suprimentos.

De 13 de agosto: três apostas em andamento

1. Fed corta em setembro e S&P 500 fecha acima de 7.900 (55%)

O índice está próximo de 7.680. Para chegar a 7.900 até o fechamento de setembro, precisaria ganhar mais de 3% daqui até lá. O corte do Fed continua quase certo, mas o que move o S&P não é o corte em si — é o tom do comunicado. Sem sinalização explícita de dois ou três cortes adicionais em 2026, o mercado não necessariamente celebra. Probabilidade atual: 40%. Distância maior do que eu esperava.

2. COPOM setembro faz pausa — Selic fica em 14% (55%)

O consenso virou. O Boletim Focus de 17 de agosto projeta Selic a 13,75% — um corte de 0,25 ponto em setembro já está embutido na projeção do mercado. A ata de agosto foi marginalmente menos conservadora e reconheceu desaceleração da atividade e surpresas baixistas de inflação. O IPCA de julho fechou em 4,44% — dentro da meta. Estou perdendo essa aposta. Probabilidade atual de pausa: 30%.

3. Ibovespa abaixo de 163.000 no dia 4 de outubro (60%)

Investidores estrangeiros retiraram R$ 15,6 bilhões da B3 em agosto, a maior saída mensal desde janeiro de 2022. A campanha eleitoral começou em 16 de agosto. Mais de dez pregões no vermelho. Os vetores continuam negativos. Probabilidade atual: 68%. Esta aposta amadureceu.

Três prognósticos para setembro e outubro

Prognóstico 1 — COPOM de setembro corta a Selic para 13,75%

Prazo: 15-16 de setembro | Probabilidade: 60%

Reviro minha posição de 13 de agosto. O dado que mudou o tabuleiro foi o IPCA de julho: 4,44% em doze meses, dentro da meta de 4,5%. A ata do COPOM deixou a porta aberta, sem compromisso, mas com tom mais receptivo ao corte. O Focus e o Citi projetam 13,75%. Quando o BC e o mercado estão alinhados e os dados de inflação colaboram, resistir ao corte exige evidência contrária — que no momento não aparece.

O que ainda me faz parar nos 60% em vez de ir para 80%: Brent em US$ 92 pressiona a inflação de serviços, o câmbio oscila ao redor de R$ 5,22 e o fiscal pré-eleitoral continua incerto. Se o dólar saltar para R$ 5,40 antes de setembro, o BC pode hesitar.

Impacto na carteira se o corte se confirmar: ITUB4 se beneficia pelo volume de crédito maior; o caixa em CDI perde um ponto de rendimento. O custo de estar correto aqui é pequeno.

Prognóstico 2 — Brent permanece acima de US$ 88 até 30 de setembro

Prazo: 30 de setembro | Probabilidade: 65%

Ormuz é o único ponto que importa. O Irã já declarou que o estreito fica fechado enquanto os fundos não forem descongelados. Mesmo que um acordo fosse anunciado amanhã, a normalização do fluxo de tanques leva semanas — os preços não caem imediatamente.

O que derrubaria essa aposta: abertura coordenada de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia, ou colapso abrupto da demanda global por dados ruins de atividade nos EUA ou na Europa. Nenhum dos dois está no radar imediato.

Para a carteira: Brent alto sustenta os dividendos da PETR4. O custo é inflacionário — atrasa os cortes da Selic e pressiona o câmbio. O caixa em CDI a 14% ao ano aguenta bem esse cenário.

Prognóstico 3 — Ibovespa toca 160.000 antes das eleições de 4 de outubro

Prazo: 4 de outubro | Probabilidade: 45%

De 166.783 para 160.000 são 4% adicionais de queda. Os vetores negativos ainda estão todos presentes: saída de capital externo, risco eleitoral com campanha ativa, petróleo alto atrasando a Selic, PMI chinês em contração prejudicando VALE3. Mas 45% é meu teto porque é difícil o mercado cair linearmente depois de uma sequência tão longa. Em algum momento aparecem os compradores de oportunidade.

O que forçaria a queda até 160.000: IPCA de agosto acima de 5,0% anunciado em setembro, escalada direta das tensões EUA-Irã, ou pesquisa eleitoral mostrando virada no segundo turno com candidato claramente hostil ao mercado.

Se acontecer: o caixa de 51% se torna oportunidade concreta de entrada. Estarei monitorando o Ibovespa nas semanas de 22 de setembro a 2 de outubro.

O que muda na carteira

Nada hoje. ITUB4 (18%), PETR4 (12%), VALE3 (8%), TSMC34 (11%) e caixa (51%) passam pelos três cenários sem necessidade de ajuste imediato. O maior risco é o Prognóstico 3 se materializar sem reação — mas o caixa existe exatamente para isso.

Esta é uma carteira teórica, não uma recomendação de investimento.

Perguntas rápidas

Por que você errou o Brent?

Apostei na lógica econômica e ignorei a variável política. O impasse Irã-EUA não é sobre preço de barril — é sobre soberania e sanções. Lógica econômica perde para ego político quando os dois lados preferem o impasse ao acordo.

Se o COPOM cortar em setembro, por que o Ibovespa ainda pode cair?

O corte da Selic valoriza ações pelo desconto menor. Mas se vier acompanhado de linguagem cautelosa — com eleições em menos de três semanas — o alívio pode ser curto. Capital externo entra por lógica macro, sai por lógica política.

Ibovespa em 160.000 seria o fundo?

Não sei. Seria queda de 8-9% do pico do ano — resultado de Brent alto, juro elevado e eleição empatada. Para quem tem caixa, seria uma entrada razoável. Para quem não tem, seria tarde demais para correr.