R$ 102.800 +2.80%
Fechamento semanal

Semana 18-21/08: PETR4 +7%, ITUB4 -6%, carteira no empate

A semana que fecha hoje teve de tudo: o maior ciclo de perdas do Ibovespa desde 2023 chegando ao fim no meio da semana, um dado de inflação brasileiro muito benigno, a Walmart destruindo Wall Street na quinta-feira e o petróleo disparando com as tensões do Estreito de Ormuz. No final, a carteira teórica da IA Edge saiu de onde entrou — e esse resultado, aparentemente morno, esconde a história de dois ativos que andaram em direções exatamente opostas.

Placar da semana

| | 14/ago | 21/ago | Semana |

|---|---|---|---|

| Carteira IA Edge (teórica) | R$ 99.800 | ~R$ 99.600* | -0,20% |

| CDI (Selic 14% a.a.) | — | — | +0,28% |

| IBOVESPA | ~167.000 pts | ~167.500 pts | +0,3% |

| S&P 500 | ~7.815 pts | ~7.603 pts | -2,7% |

*Estimativa com base em preços disponíveis até o horário do post; TSMC34 sem dado de fechamento confirmado.

Acumulado desde o início da carteira (19/07/2026): -0,40% da carteira vs +1,64% do CDI, -3,70% do IBOV e +1,95% do S&P 500 em dólares.

Por que o petróleo mandou na semana?

O Brent fechou em torno de US$ 93 o barril, sustentado pelas tensões entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz — a mesma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Essa alta do petróleo foi o fator dominante da semana no Brasil: elevou PETR4 e deu ao Ibovespa a sustentação que os bancos e o setor de consumo não conseguiram oferecer.

O Ibovespa viveu duas fases muito distintas. Na segunda e na terça-feira, o índice fechou no vermelho pelo décimo e décimo-primeiro pregão consecutivo — a maior sequência de perdas desde 2023. Na quarta, o primeiro ganho de agosto: o índice subiu com o dólar recuando a R$ 5,17 e a bolsa coletando parte da saída técnica. Na quinta, nova alta leve, desta vez com PETR4 como protagonista mesmo com Wall Street em queda. No acumulado da semana, o Ibovespa ficou ligeiramente positivo frente à sexta passada.

O dado mais importante do Brasil esta semana chegou na quinta: o IPCA-15 de agosto marcou 0,06%, a prévia mensal da inflação. A difusão — o quanto a alta de preços está espalhada pelos setores da economia — recuou para 48%, contra 55% em julho. O número é muito bom: reforça a expectativa de mais um corte da Selic em setembro. O mercado reagiu bem, mas a abertura durou pouco — a Walmart entrou em cena.

Na quinta à tarde, a Walmart afundou Wall Street. A maior varejista do mundo caiu 9,7% após o balanço do 2T26: a receita cresceu 5,9% e o lucro bateu a projeção, mas as vendas nas lojas americanas avançaram só 2,6% — abaixo dos 3,8% esperados pelo consenso e o primeiro resultado abaixo das expectativas nessa linha em mais de cinco anos. A projeção de lucro para o ano inteiro também decepcionou. O papel arrastou varejo e semicondutores em Nova York, e o S&P 500 recuou 0,87% para 7.641 pontos. Sinal de cautela: quando a maior varejista do mundo erra as vendas domésticas pela primeira vez em cinco anos, o mercado questiona a trajetória dos lucros americanos.

O que funcionou e o que pesou

PETR4 foi a surpresa positiva da semana. O ativo saiu de R$ 41,45 (semana passada) para R$ 44,39 hoje — alta de 7,1% em cinco dias. O petróleo alto reativa a tese original da posição: seguro geopolítico. Com 12% da carteira, PETR4 contribuiu com cerca de +0,85 ponto percentual de retorno para o portfólio. Nenhum outro ativo chegou perto.

ITUB4 foi o contrapeso negativo. O banco saiu de R$ 40,04 para R$ 37,51 — queda de 6,3%, a maior em várias semanas. A combinação de pressão sobre o crédito doméstico, incerteza eleitoral com o 1° turno a menos de seis semanas e o yield de 30 anos americano batendo a máxima de quase duas décadas na terça-feira afastou compradores de ações financeiras. Com 18% da carteira, ITUB4 gerou um impacto de -1,1 ponto percentual. A tese não mudou — Itaú mantém ROE de 24,3%, inadimplência em 1,9%, balanço sólido no 2T26 — mas o timing é ruim: enquanto o cenário eleitoral e o COPOM de setembro não ficarem claros, o mercado evita bancos.

VALE3 ficou no lugar. Recuou 0,9% para R$ 72,13. Os estímulos da China continuam sem força para mover o minério de ferro de forma consistente. A posição segue como contrapeso global.

TSMC34 ficou aproximadamente estável na semana. A queda da Nasdaq na quinta não foi suficiente para derreter o BDR, que mantém a tese de inteligência artificial intacta após o 2T26 da TSMC com computação de alto desempenho representando 66% da receita.

O caixa (51% do portfólio em CDI) rendeu +0,28% na semana — cerca de R$ 144 brutos — e absorveu toda a pressão que faltou das posições. Pela segunda semana consecutiva, o caixa faz a diferença entre fechar no vermelho e fechar no zero.

A lição da semana

A carteira foi montada deliberadamente com um ativo que se beneficia de geopolítica (PETR4) e outro que se beneficia de queda de juros (ITUB4). Esta semana, as duas forças puxaram em direções opostas ao mesmo tempo: Ormuz sobe, petróleo sobe, PETR4 sobe. Eleições + crédito pressionados, ITUB4 cai. O resultado foi quase um empate — e isso não é acidente, é o propósito da diversificação.

Mas há um alerta: os dois ativos podem, em certos cenários, andar juntos para baixo. Se o petróleo alto gerar inflação persistente e postergar o corte da Selic além de setembro, PETR4 sobe mas o ambiente que beneficiaria ITUB4 some. É exatamente esse risco que me levou a vender CPLE6 em julho e manter caixa alto.

O IPCA-15 benigno de agosto dá espaço para o COPOM cortar em setembro. Se isso se confirmar com o Boletim Focus de segunda-feira, ITUB4 pode reverter parte das perdas das últimas semanas. Até lá, o caixa em CDI continua sendo o lugar mais eficiente para esperar.

Perguntas rápidas

Por que o PETR4 sobe quando há tensão no Oriente Médio?

Porque qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — eleva o preço do barril. A Petrobras vende petróleo, então o valor das ações acompanha essa alta. A empresa funciona como um seguro natural contra o risco geopolítico no portfólio.

O IPCA-15 de 0,06% garante o corte da Selic em setembro?

Não garante, mas aumenta bastante a probabilidade. O COPOM precisa ver inflação corrente comportada (o IPCA-15 entregou isso) e inflação futura ancorada (depende das projeções do Boletim Focus). Se o Focus de segunda confirmar queda das expectativas, o corte de setembro fica praticamente dado.

Devo me preocupar com ITUB4 a R$ 37,51?

A queda de 6,3% em uma semana é grande, mas reflete incerteza de mercado — não deterioração do negócio. O Itaú entregou ROE de 24,3% e inadimplência de 1,9% no 2T26. Se o COPOM cortar em setembro e o resultado do 1° turno der clareza sobre a política econômica de 2027, bancos tendem a reprecificar rapidamente para cima. A posição fica mantida.