R$ 102.800 +2.80%
Novidades

Deflação no IPCA-15, petróleo a US$ 90 e IA nos bancos

Três notícias abriram setembro em direções opostas. O IPCA-15 de agosto veio melhor do que o esperado — deflação de 0,40% — e alimentou a tese de um novo corte da Selic em setembro. Ao mesmo tempo, EUA e Irã retomaram ataques no Golfo Pérsico e o petróleo voltou a US$ 90. E pesquisa divulgada na última semana mostrou que os bancos brasileiros planejam gastar R$ 3 bilhões em inteligência artificial este ano. Cada uma dessas novidades aponta para lados diferentes da carteira.

Por que a deflação de agosto importa para a Selic?

O IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, a maior deflação desde agosto de 2022. O mercado esperava -0,29% — o resultado veio melhor. No acumulado de 12 meses, o indicador desacelerou de 4,52% para 4,24%. O que puxou para baixo: Habitação (-1,41%, com o desconto do Bônus de Itaipu nas contas de luz), Transportes (-1,00%) e Alimentação (-0,57%).

O COPOM cortou a Selic para 14,00% ao ano em agosto e deixou setembro em aberto, dependente dos dados. Esse resultado é exatamente o tipo que abre porta para mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 15 e 16 de setembro. O boletim Focus desta segunda projeta Selic em 13,75% ao final de 2026.

Para a carteira: Selic menor no horizonte favorece ações. ITUB4 e VALE3 seriam as principais beneficiárias — bancos lucram mais com o ciclo de crédito que o juro menor desencadeia, e a Vale reduz o custo financeiro de longo prazo dos projetos. ITUB4, aliás, distribuiu Juros sobre Capital Próprio (JCP) de R$ 0,36 por ação no segundo trimestre de 2026, reforçando a tese de provento.

O petróleo que não deixa a inflação sumir

No final de semana, EUA e Irã retomaram ataques no Golfo Pérsico — os primeiros confrontos desde julho. O Brent subiu 2,71% e voltou a US$ 90 por barril, abrindo setembro pressionado.

A cadeia é direta: escalada no Golfo → risco ao Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global → preço do barril sobe → gasolina, diesel e frete encarecem no Brasil → IPCA de setembro pressiona para cima → BC hesita em cortar Selic.

Esse é o principal contraargumento à narrativa deflacionária. A queda do IPCA-15 veio de choques pontuais — energia subsidiada, alimentos sazonais. Petróleo elevado é uma pressão diferente, mais persistente e ligada a geopolítica que o Banco Central não controla.

Para a PETR4: barril a US$ 90 sustenta as margens da Petrobras, que lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026. A empresa tem dividendos na agenda de setembro. Os 12% da carteira teórica em PETR4 ficam bem posicionados enquanto o barril se mantiver nesse patamar.

O dólar está em R$ 5,16. Com petróleo elevado e incerteza sobre o Fed americano — a decisão de setembro do Fed depende do relatório de emprego não-agrícola (payroll) de agosto, publicado em 4 de setembro —, o câmbio deve continuar nessa faixa.

R$ 3 bilhões em IA: onde os bancos estão colocando o dinheiro

Uma pesquisa da TI Inside publicada em 25 de agosto revelou que os bancos brasileiros pretendem investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial, analytics e dados em 2026 — alta de 8% sobre 2025. Outros R$ 3,9 bilhões vão para migração para nuvem, crescimento de 30%.

No FEBRABAN TECH de agosto, a Celcoin lançou o cel_agents: agentes autônomos de IA para integração de serviços financeiros. O padrão se repete: os bancos estão saindo da fase de projetos-piloto de IA e entrando na fase de implantação em escala.

A cadeia de interesse para a carteira funciona assim: bancos compram servidores de IA em escala → quem fabrica os chips avançados desses servidores é a TSMC → TSMC34, BDR com 11% da carteira, captura parte desse crescimento de demanda. O BTG Pactual ampliou posição em TSMC após a correção recente do setor de semicondutores — sinal de que o mercado institucional local chegou à mesma leitura.

Ações ligadas a IA subiram 20% no primeiro semestre de 2026, mesmo com o cenário macro mais pesado.

Como a carteira abriu setembro

O S&P 500 recuou para 7.696 pontos nesta manhã, pressionado pelo petróleo e pela cautela antes do payroll. O Ibovespa fechou em alta de 1,00%, em 177.419 pontos.

Na carteira teórica, ITUB4 cedeu 1,03% (R$ 38,60) e pesou mais do que os ganhos de VALE3 (+0,83%, R$ 72,97) e TSMC34 (+0,28%). PETR4 ficou praticamente estável em R$ 41,64. O patrimônio encerrou o dia em R$ 102.230, leve recuo sobre os R$ 102.300 de ontem — o caixa em CDI (14,00% ao ano) absorveu parte do impacto.

Não há decisão de carteira hoje. O COPOM de 15-16 de setembro e o payroll americano de 4 de setembro são os dois dados que vão definir os próximos movimentos.

Perguntas rápidas

O IPCA-15 de agosto garante corte da Selic em setembro?

Não garante, mas aumenta a probabilidade. O COPOM avaliará o IPCA cheio de agosto e outros indicadores antes de decidir. O mercado precifica mais chance de corte de 0,25 ponto percentual.

Por que o petróleo sobe ao mesmo tempo em que a inflação cai?

Porque as causas são diferentes. A deflação de agosto veio de subsídio de energia e sazonalidade de alimentos — fatores pontuais. O petróleo sobe por tensão geopolítica, um pressão persistente e independente do ciclo doméstico.

Os bancos investindo em IA beneficiam diretamente a TSMC34?

Indiretamente sim. Cada servidor de IA que entra nos bancos usa chips de processo avançado, e a TSMC é a principal — e praticamente única — fabricante desses chips no mundo. A cadeia passa por Taiwan antes de chegar ao data center do banco brasileiro.