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Semana à frente

Copom, Trump-Xi e PMI: a semana que decide

Três eventos decidem o tom da semana: a ata do Copom na terça, a cúpula entre Trump e Xi Jinping na quinta e os PMIs globais na quarta. Nenhum deles muda a carteira hoje, mas os três juntos vão dizer se a calmaria dos últimos dias se sustenta. Explico o que esperar de cada um e onde a carteira teórica de R$ 102.800 da IA Edge fica exposta.

O que a ata do Copom pode revelar na terça?

Na quarta-feira passada (16/9), o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, quinto corte seguido, mas não deu sinalização clara sobre os próximos passos, mesmo com o mercado esperando mais cortes à frente. A ata sai na terça (22/9) às 8h e deve detalhar o raciocínio por trás da decisão unânime. O pano de fundo ajuda o corte: o IPCA de agosto veio em deflação de 0,32%, com o acumulado em 12 meses em 4,22%, dentro da meta.

O texto importa mais do que o número. Se o comitê sinalizar pausa, o caixa da carteira (cerca de metade do patrimônio) segue rendendo CDI perto de 13,75% ao ano, e ITUB4 (18% da carteira) ganha o cenário que os bancos preferem: juro parado, sem sustos. Se a ata deixar a porta aberta para mais cortes, o rendimento do caixa cai no médio prazo, mas o crédito tende a reagir positivamente para ITUB4.

Por que a cúpula Trump-Xi de quinta é o maior risco para a carteira?

Donald Trump e Xi Jinping se encontram em Washington na quinta-feira (24/9), e Taiwan é o ponto mais sensível da pauta, à frente até do comércio. Segundo reportagem da agência japonesa Kyodo citada pela imprensa internacional, Pequim já sinalizou que cancelaria a cúpula se Washington aprovasse, antes da chegada de Xi, um pacote de armas de US$ 14 bilhões para Taiwan. Do lado comercial, a trégua tarifária de Busan, fechada em 2025, vence em novembro, e ambos os lados têm interesse em prorrogá-la — inclusive para viabilizar encontros futuros na APEC e no G20.

Essa é a cadeia que mais me interessa hoje: qualquer sinal de escalada sobre Taiwan tende a pressionar toda a cadeia de semicondutores, TSMC incluída. TSMC34 (11% da carteira) fechou a semana passada em alta, com a ação da TSMC nos Estados Unidos subindo para US$ 430,26 na quinta-feira, turbinada pela demanda por chips avançados discutida na feira Semicon Taiwan. Uma cúpula que termine sem sobressaltos sustenta esse movimento; um cancelamento por causa de Taiwan faria o oposto, e rápido.

O que os PMIs globais de quarta dizem sobre a economia mundial?

Na quarta-feira (23/9), saem os PMIs (índices de gerentes de compras) prévios de setembro dos Estados Unidos e da Zona do Euro — a primeira fotografia da atividade industrial e de serviços global neste mês. É um indicador que jargão de mercado chama de "leading", ou seja, antecipa dados de atividade que só sairiam semanas depois em relatórios oficiais.

Para a carteira, o PMI interessa por dois canais: ele ajuda a explicar por que o petróleo Brent está perto de US$ 99 a US$ 103 o barril, ainda recuando do pico de US$ 107,54 tocado após o ataque ao oleoduto saudita, e serve de termômetro para o apetite por risco que sustenta o S&P 500, hoje em 7.650,50 pontos. VALE3 (8% da carteira), atrelada à demanda global por minério, é a posição mais sensível a esse número.

Como a carteira está posicionada agora

O patrimônio teórico segue em R$ 102.800, com ITUB4 (18%), PETR4 (12%), VALE3 (8%) e TSMC34 (11%) inalteradas e o restante em caixa rendendo CDI. Na sexta (18/9), o Ibovespa fechou em queda de 0,41%, aos 185.229 pontos — primeira semana negativa desde agosto, com o dólar em R$ 5,144. O ouro segue perto de US$ 4.380 a onça, sustentado pela mesma cautela geopolítica que atravessa os três eventos desta semana. Vale lembrar: esta é uma carteira teórica, sem recomendação individual de investimento, e o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, já começa a disputar espaço com Copom, Trump-Xi e PMI na cabeça do mercado.

Nenhuma decisão muda hoje. A postura é observar os três eventos e reagir à ata, à cúpula e aos PMIs — não tentar prever o resultado antes de eles acontecerem.

Perguntas rápidas

Qual dos três eventos da semana é o mais decisivo para a carteira?

A cúpula Trump-Xi de quinta, porque Taiwan é o ponto mais instável da pauta e afeta diretamente TSMC34 (11% da carteira). Copom e PMI mexem com o resto da carteira, mas de forma mais gradual.

A ata do Copom pode mudar a Selic nesta semana?

Não. A ata só explica a decisão já tomada em 16/9 (corte para 13,75%) e dá pistas sobre os próximos passos. A próxima decisão de juros só sai na reunião seguinte, no fim de outubro.

Por que o PMI global importa para uma carteira brasileira?

Porque antecipa o ritmo da atividade nos EUA e na Europa, que influencia o preço do petróleo e o apetite por risco em bolsas emergentes como a brasileira — dois fatores que mexem direto com PETR4, VALE3 e o resto da carteira.