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Carteiras dos bancos

Consenso de agosto: Petrobras, Sabesp e o teste da quarta

Doze bancos e corretoras divulgaram as carteiras recomendadas de agosto. Petrobras voltou ao topo, Sabesp segue firme e Gerdau aparece como novidade da XP. O consenso, porém, vai ser testado ainda nesta semana: a estatal divulga o resultado do segundo trimestre, o COPOM decide a Selic e os payrolls de julho chegam dos EUA na sexta. É muita informação nova em poucos dias para quem ainda está avaliando entrar nos nomes mais citados.

Quem lidera o consenso de agosto?

O levantamento da Bloomberg Línea com 12 instituições coloca Petrobras, Sabesp e Itaú entre os nomes mais recorrentes. A lógica central é a mesma de julho: empresas com dividendos visíveis num ambiente de juro ainda alto.

Petrobras (PETR4/PETR3) retornou ao topo depois de um julho mais dividido — quando o Itaú BBA saiu da posição na contramão da XP, que ampliou. Agora, com o resultado do 2T26 iminente, a tese de dividendo voltou a ser o argumento mais forte. Os dados operacionais já foram divulgados e animaram o mercado: produção de 3,34 milhões de barris por dia no trimestre, crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 3,4% em relação ao trimestre anterior, puxado por Búzios ultrapassando 1,2 milhão de barris diários. O BTG Pactual projeta EBITDA ajustado de US$ 18,9 bilhões e lucro de US$ 9,5 bilhões; o Citi estima US$ 3,5 bilhões em dividendos só neste trimestre.

Sabesp (SBSP3) continua entre os favoritos e por razões que vão além do balanço. A privatização do saneamento em São Paulo está em curso, e analistas da XP citam a empresa como uma das mais prováveis beneficiárias de retorno de capital estrangeiro caso o Fed corte juros em setembro. Com os payrolls de julho chegando na sexta, essa leitura vai ser testada antes da semana acabar.

Itaú Unibanco (ITUB4) mantém cinco ou mais recomendações no consenso, consolidando a posição defensiva. Juro ainda elevado se traduz em spread bancário alto — o que o mercado aguarda com atenção é o resultado do próprio 2T26 do Itaú, que também sai esta semana junto com o do Bradesco. Semana densa.

Embraer (EMBR3) mantém presença relevante, mas perdeu a liderança de julho (quando tinha seis de dez recomendações). A tese de receita em dólar continua intacta. Com o câmbio ao redor de R$ 5,10, a exportadora preserva a vantagem de faturar fora. Outros nomes ganharam mais espaço.

O que mudou de julho para agosto

A mudança mais clara veio da XP, que ampliou Petrobras (de 10% para 15% na carteira de dividendos) e adicionou Gerdau (GGBR4) e Sabesp. O argumento para a Gerdau: mais de 50% da receita vem da América do Norte, o que a deixa menos exposta à desaceleração industrial da China do que o nome sugere. Aço para o mercado americano num momento em que a demanda doméstica por lá ainda aguenta.

A Ágora alterou a carteira de small caps para agosto: SmartFit (SMFT3) entra no lugar de Marcopolo (POMO4). O argumento é crescimento de receita recorrente — a empresa de academias abre unidades de forma consistente e cobra mensalidades independente do ciclo de crédito. O Safra também rodou small caps: Cury (CURY3) entra, Tenda (TEND3) sai. Mais geração de dividendo, menor risco de crédito imobiliário.

Uma ausência notável: utilities como Copel (CPLE6, CPLE3) ficaram fora de várias carteiras ou foram reduzidas ao longo de julho. A saída que fiz em 29 de julho, antecipando que o ciclo de queda de Selic seria mais lento do que a tese original previa, encontrou respaldo no consenso de agosto.

O confronto de teses sobre Petrobras

O ponto mais importante do consenso de agosto não é quem entrou — é o embate de narrativas sobre Petrobras, que vai ser arbitrado pelo balanço desta semana.

Lado otimista (XP e maioria do consenso): o dividendo de dois dígitos aguenta o Brent nos níveis atuais, perto de US$ 88. O 1T26 gerou lucro de R$ 32,6 bilhões e dividendos de R$ 9 bilhões com o petróleo alto. O 2T26 pode ser parecido, com produção ainda maior.

Lado cauteloso (quem reduziu ou saiu): a queda do Brent de US$ 95 para US$ 88 desde o pico de julho comprime margens. O Citi cortou o preço-alvo de PETR4 mas ainda vê dividendos maiores no 2T26, o que ilustra bem a tensão: fundamentos operacionais fortes, mas teto de valorização mais baixo com o petróleo recuando.

O balanço vai dizer quem calibrou melhor.

O que eu faço com isso

PETR4 (12% da carteira teórica): mantenho a posição para ver o resultado. Os dados de produção já foram positivos; o que falta é o número financeiro — EBITDA, dividendo declarado. Se confirmar, a tese de dois dígitos de retorno anual segue. Se decepcionar ou o dividendo vier abaixo do esperado, o tamanho da posição precisa de revisão.

ITUB4 (18%): o consenso de agosto reafirma a posição. O balanço do 2T26 do próprio Itaú, que chega esta semana, é o catalisador imediato. Banco com spread alto em ambiente de Selic elevada tende a entregar resultado sólido. A reunião do COPOM começou hoje (decisão quarta-feira) — se o comunicado sinalizar pausa no ciclo de cortes, Selic alta por mais tempo é neutro a positivo para a margem bancária.

VALE3 (8%): presente no consenso com ressalvas. A produção recorde da Petrobras no pré-sal faz o mercado ficar animado com empresas de commodities, mas a Vale depende de China — e o PMI industrial chinês, que sai esta semana, vai dizer se o crescimento de 0,9% no 2T26 foi o fundo ou confirma tendência. Mantenho e observo.

TSMC34 (11%): não aparece nas carteiras dos bancos brasileiros, que se concentram em B3. A posição responde a uma tese diferente: exposição à cadeia global de semicondutores e inteligência artificial. A cotação do BDR está ao redor de R$ 284, bem acima da entrada em R$ 251,90 — a maior contribuição positiva da carteira desde o início.

No radar, sem posição: Embraer e Sabesp são as apostas mais interessantes do consenso de agosto. Para Embraer, prefiro aguardar os três eventos desta semana antes de abrir posição nova — o contexto macro pós-payrolls e pós-COPOM vai dizer se o momento é de risco ou de cautela. Para Sabesp, o payroll de sexta é o gatilho: número fraco de emprego nos EUA consolida corte do Fed em setembro, fluxo de capital para emergentes volta, e a Sabesp está entre os primeiros destinos desse capital.

A carteira teórica fechou sexta-feira (1º de agosto) em R$ 101.700, com retorno de +1,70% desde 19 de julho contra CDI de +0,64%, Ibovespa de +1,54% e S&P 500 de +1,90%. A carteira está 49% alocada em ações e BDRs, com 51% em caixa rendendo CDI. A estimativa para hoje, com mercados levemente positivos na abertura, fica ao redor de R$ 102.000 — atualizo ao fechamento.

Perguntas rápidas

Por que Sabesp aparece em tantas carteiras de agosto?

Três razões: privatização em curso, tarifas reajustáveis e potencial de retorno de capital estrangeiro caso o Fed corte juros em setembro. Quando o dólar cede, capital sai dos EUA e procura emergentes — empresas de infraestrutura privatizadas costumam ser o primeiro destino.

O que a Gerdau tem de diferente das outras siderúrgicas?

Mais da metade da receita vem da América do Norte, não do Brasil nem da exportação para a China. Isso a torna menos sensível ao PMI industrial chinês do que parece à primeira vista. O risco central para a Gerdau não é Pequim, é uma recessão nos EUA.

Se o balanço da Petrobras decepcionar, o que acontece com PETR4?

Depende do dividendo. A ação é comprada pelo carrego — a promessa de pagar dois dígitos de retorno por ano. Se o resultado do 2T26 vier fraco ou o dividendo declarado ficar abaixo de US$ 3 bilhões, parte do mercado que entrou pela tese de dividendo vai sair, e o papel corrige. A cotação suporta melhor um EBITDA abaixo do esperado do que um corte no provento.