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Vale afundou, Embraer decolou e o COPOM decide amanhã

A terça foi de contraste na bolsa: Vale caiu 3,19% e puxou o Ibovespa para baixo, enquanto Embraer subiu 3,1% depois de um contrato aprovado pelo BNDES. Enquanto o pregão corria, o COPOM iniciou o primeiro dia da reunião que define a Selic — a decisão sai amanhã, quarta-feira. Com balanço da Petrobras na quinta e payrolls americanos na sexta, a semana ainda tem muito para entregar.

Por que a Vale afundou hoje?

Os futuros de minério de ferro recuaram nas bolsas asiáticas, e investidores com lucro na ação aproveitaram para sair. Vale fechou em queda de 3,19%, o maior arrasto da sessão, enquanto o Ibovespa terminou estável ao redor de 178.000 pontos. O câmbio ficou praticamente parado em R$ 5,10 por dólar.

A tese de Vale não mudou: a empresa produz em volumes recordes, a China ainda é o motor de demanda para o minério, e a posição financeira é sólida. O problema é que o preço do minério oscila entre US$ 95 e US$ 110 por tonelada sem tendência definida há semanas. Sem convicção de direção, a realização de lucro domina o pregão.

Tenho VALE3 com 8% da carteira teórica. A posição serve como diversificação global — descorrelacionada do ciclo doméstico. Se a China sinalizar aceleração, o minério responde rápido. Por ora, observo sem mexer.

Embraer: BNDES aprova R$ 3,4 bilhões para exportação de jatos ao Canadá

O BNDES aprovou um financiamento de R$ 3,3 a 3,7 bilhões para a exportação de até 19 jatos regionais da Embraer para a Porter Aviation Holdings do Canadá. A notícia empurrou as ações 3,1% no pregão.

O mecanismo é o BNDES Exim, linha de crédito que financia compradores estrangeiros de produtos brasileiros. A Embraer recebe o valor pelas aeronaves, e o risco de inadimplência fica com o banco público. Isso viabiliza vendas para operadores que não teriam acesso fácil a crédito privado — e mantém a fabricante pagando em reais.

Não tenho Embraer na carteira. O consenso de agosto de 12 bancos e corretoras, coberto ontem, já a apontava como favorita pela receita em dólar. Esse contrato reforça a tese. Antes de comprar, porém, prefiro esperar o comunicado do COPOM amanhã e o balanço da Petrobras na quinta — o contexto macro dos próximos dois dias vai dizer se o momento é de assumir mais risco ou de preservar caixa.

COPOM decide amanhã: Selic vai a 14,00%?

O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central iniciou hoje o primeiro dia de uma reunião de dois dias. A decisão sobre a Selic sai amanhã, quarta-feira (5/8).

O mercado espera, de forma quase unânime, um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14,00% — o quarto corte consecutivo no ciclo atual. O relatório Focus desta semana registrou IPCA projetado para 2026 em 5,03%, o que dá cobertura técnica para o movimento.

O corte em si já está precificado. O que vai mover o mercado é o comunicado. Três questões que vou acompanhar amanhã:

1. O Banco Central vai sinalizar pausa no ciclo ou abrir espaço para mais cortes?

2. A inflação de serviços aparece como preocupação explícita?

3. O payroll americano de sexta é mencionado como fonte de incerteza?

Se o comunicado indicar pausa, os juros longos sobem, empresas alavancadas sofrem e o caixa rende mais por mais tempo. Se abrir espaço para cortes adicionais, o cenário favorece Bolsa, especialmente nomes domésticos e utilities.

TSMC: chips de 2nm chegam à produção em massa

Uma novidade que ficou nas entrelinhas esta semana, mas importa muito para a corrida da inteligência artificial: a TSMC confirmou que o processo de 2 nanômetros entrou em produção em massa, com 20.000 wafers por mês saindo de uma única fábrica. Outras quatro unidades estão em aceleração para o mesmo nó ainda em 2026.

O chip de 2nm é o mais avançado já produzido comercialmente. Mais transistores na mesma área significa processadores mais rápidos e mais eficientes — exatamente o que data centers de IA precisam para rodar modelos de linguagem de próxima geração sem explodir a conta de energia elétrica.

Não é coincidência que a divisão de computação de alta performance da TSMC já responde por 58% da receita da empresa. Metade do que a maior fundidora de chips do mundo fatura vem da infraestrutura de IA: GPUs, aceleradores, servidores. Esse número era menor que 40% dois anos atrás.

Tenho TSMC34 com 11% da carteira. A posição está ao redor de R$ 284, acima da entrada média em R$ 276. A tese segue: enquanto a IA precisar de chips mais rápidos — e vai precisar por anos — a TSMC captura a maior parte desse valor como único fabricante capaz de operar nessa escala e nessa precisão.

O que está no radar para os próximos dois dias

Com três catalisadores em três dias, prefiro não alterar a carteira hoje. Paciência aqui vale mais do que velocidade.

Perguntas rápidas

Por que o comunicado do COPOM importa mais do que o corte em si?

Porque o mercado já precificou o corte de 0,25pp. O que ninguém sabe é o que vem depois. Se o Banco Central sinalizar pausa, os juros longos sobem e quem tem dívida a pagar fica com custo mais alto. Se indicar mais cortes, a Bolsa tende a subir, especialmente ações de empresas com receita em reais.

O que é o BNDES Exim e como ele ajuda a Embraer?

É uma linha de crédito do BNDES que financia compradores estrangeiros de produtos brasileiros. A Embraer entrega os jatos e recebe o pagamento; o risco de calote fica com o banco público. Isso permite vender para companhias aéreas de médio porte que não conseguiriam crédito privado nas mesmas condições.

Por que chips de 2nm importam para a IA?

Chips menores concentram mais transistores na mesma área, o que aumenta a capacidade de processamento sem escalar o consumo de energia na mesma proporção. Data centers de IA já são limitados pela conta de luz; chips mais eficientes permitem rodar modelos maiores com o mesmo gasto elétrico — ou os mesmos modelos com custo menor.